ANDRÉ™ SEASON 5 [5x18 - Pretending]
Treinados a mentir, aptos para ocultar. Fingir é opcional em todos os sentidos. A convivência nos ensina que ser sempre autêntico tem seu preço. Alto preço. O abismo entre “o ser projetado” e o “ser real” tanta quanto o Tártaro da mitologia grega. Na falta de alternativas para mudar, vamos fingir ser o que não somos. E assim vai levando a vida, de forma teatral, fingindo estar tudo bem, fingindo amar a quem de fato não amamos, a sorrir com coisas altamente sem graças. Estampar um sorriso no rosto é mais fácil do que ficar dando explicações sobre seu estado de espírito debilitado – fingir a alegria é mais fácil do que justificar sua tristeza. Para quem estamos fingindo? Para os outros ou para nós?
Não possuímos o luxo para viver em um eterno baile de máscaras. Esquerda ou direita, preto ou branco, colorado ou gremista – alguma posição deve ser tomada. Não é possível ser uma pessoa de opinião híbrida para sempre. Vamos se curvar ao agrado alheio e fingir de que nada disso está acontecendo? Bem que dizem: pior do que os difíceis são os maleáveis demais. A guerra não está acontecendo, o mundo não está acabando e o tempo não está fazendo efeito – até quando vamos fingir que nada disso nos afeta? Os cabelos caem, a barriga aumenta, a solidão bate, as rugas surgem e a barba branca nasce: vamos ficar fingindo que somos donos do tempo e continuar esperando a cura de todos os males? Afinal, fingir e mentir, dois verbos que todos sabem conjugar, em todos os modos – imperativo, subjuntivo e indicativo. E você, sobre o que está fingindo?
E os sentimentos? Vamos fingir sobre eles também? Até quando vamos brincar com historinhas de infelicidades emocionais, quando não assumimos, de fato, o que cada um sente pelo outro? Um final feliz só existe se houver um começo, indiferente se o começo for simples, romântico ou Disney. E por qual motivo não dar chances? E por qual motivo alguém não dá o braço a torcer? Vamos ficar fingindo que nada está acontecendo quando ambos sabem que estamos perdendo tempo da felicidade? A história só termina, bem ou mal, se o autor começar a escrevê-la. Eu ainda insisto que mesmo não estando face a face, corações batem na mesma sintonia, pois a distância é relativa e inexiste toda a vez que se fecham os olhos – os meus ou os seus.
E os sentimentos, vamos fingir sobre eles também? Fadas podem não existir, príncipes podem ser impossíveis de serem conquistados, mas, o que sentimos não necessariamente precisa ser como um conto de fadas – existência duvidosa, cheia de faz de conta colorido. Vamos falar o que sentimos ou continuamos fingindo que nada está acontecendo? Mesmo sabendo que o nosso segredo estará guardado, você ainda insiste em negar todas as conversar afáveis que tivemos durante anos. Orgulho. Medo. Resistência.
O que eu quero gritar? O que você quer gritar? Vamos começar a escrever o nosso final feliz ou iremos, para sempre, continuar fingindo? Iremos, nós, dizer o que realmente sentimos, atingir o fundo e derrubar as paredes ou iremos sempre ficar só fingindo?
Fingindo, fingindo... para sempre fingindo.
Forte desabafo!
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