Temporada 6, episódio 2 – Chorar, compreender e superar
Era final de tarde de um domingo quente e preguiçoso. Estávamos deitados em sua cama, apenas em silêncio, aparentemente repousando depois de pintar algumas paredes de seu apartamento. A quietude era mórbida, mas de alguma forma não parecia me incomodar, pois simplesmente estávamos descansando e aproveitando lado a lado os momentos finais antes de minha partida. Os dois se viram, trocam olhares e logo em seguida se voltam olhando para o teto. Mais silêncio. Neste momento fechei os olhos e compreendi que todo o conto de fadas estava chegando ao fim. Ouço uns soluços. “Pronto”, pensei, “Agora, de fato, tudo estará terminado”. Lágrimas começaram a rolar da pessoa do meu lado. Ela me pediu um abraço e finalmente o recado havia sido compreendido. “Eu tentei, juro que tentei, mas não estou conseguindo mais”, disse ela. Segui abraçando-a, contendo as minhas lágrimas. Aquelas palavras foram, ao mesmo tempo, puníveis e confortáveis. Confortáveis porque a situação já estava complicada. Puníveis por demonstrar a minha incapacidade de reconquistar as pessoas. “Não quero te machucar”, continuou. O silêncio dominou o ambiente. Em meu peito, não havia conserto: a ferida já havia sido feita. Não chorei, embora a vontade fosse grande. As lágrimas dela rolaram por nós dois. “Não queria te machucar, eu juro”, quebrando a calmaria. Suspirei e finalmente falei: “Todos se machucam algum dia”. Segurei as lágrimas e concluí em voz alta: “Então é o fim.” Despedidas, abraços, lágrimas, pedidos de desculpas e a ponta de esperança de que uma amizade nasceria. Não chorei (mas quase) e falei pouco, mas o que mais me chamou a atenção foi a minha cautela. Não senti, em nenhum momento raiva ou fúria da pessoa – senti que tenho a missão de reconquistar, mas sem saber como. Não guardo mágoa de quem me proporcionou, mesmo que poucos, ótimos momentos e, porque não dizer, inesquecíveis. Não negarei: chorei feito uma menininha quando cheguei em casa, até porque um fim de relacionamento é sempre um fim de relacionamento. Deixei o abatimento tomar conta. Alanis Morissette me entenderia nessa hora.
O sentimento de “mea culpa” tomou conta no dia seguinte. A outra pessoa não deixa de gostar sem motivo algum. Entendi que sou uma pessoa altamente entediante. Devo ser como um refrigerante: com um gás tremendo no início e que aos poucos fica enjoativo. Tenho que ser como um chocolate, que é apreciado a cada tablete e, no final, se deseja mais. Se eu quiser reconquistar a pessoa, ou até iniciar outro relacionamento, deverei trabalhar melhor a arte do surpreender, do encantar e do fazer brilhar os olhos do outro. Ser certo parece ser entediante, mesmo sabendo que todos querem uma pessoa correta.
Tendo culpa no cartório ou não, preferi isentar à outra parte da culpa pelo fim. Consegui encarar o dia sabendo dos meus pontos fracos e isso, de certa forma, me fortaleceu. Não desejo mal, tão pouco a sua desgraça. Desejo sucesso e felicidade, mesmo que essa tal felicidade não tenha a minha participação.
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